quarta-feira, 24 de outubro de 2012


Não ligues ao som dos arbustos que se prolonga pela vila. Talvez seja um eco de mim, no entanto não tem o meu cheiro. Tem o cheiro da vila, tem o cheiro a terra molhada que tanto me fez sonhar, dos campos de cravos que florescem ao longo da extensa comunidade, fomos prolongando as casas primeiro, e no lugar das casas o cheiro agora, talvez um eco de mim não sei, o que me impressionava, lembro eu de longe, era do rio, sempre o rio que me refletia os olhos por inteiro.

-Esse rio é meu,

Levando o braço direito o mais hirto que podia apontava para o horizonte, onde o rio se perdia no meio de nuvens e montanhas que prolongavam a vila, uma bola de fumo que subia com o ar, e com o restolhar da vila o som dos arbustos, talvez seja um eco de mim.
Agora aqui sentado, no cume da vila vejo o meu eu partir, sereno, talvez procure o silêncio que tanto anseia. Um dia espero que ele volte. Por enquanto contento-me a ouvir o som dos arbustos que se prolonga ao longo da vila, talvez seja um eco de mim parado no tempo.
João Soeiro

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