Não ligues ao som dos arbustos que se prolonga pela vila.
Talvez seja um eco de mim, no entanto não tem o meu cheiro. Tem o cheiro da
vila, tem o cheiro a terra molhada que tanto me fez sonhar, dos campos de
cravos que florescem ao longo da extensa comunidade, fomos prolongando as casas
primeiro, e no lugar das casas o cheiro agora, talvez um eco de mim não sei, o
que me impressionava, lembro eu de longe, era do rio, sempre o rio que me refletia
os olhos por inteiro.
-Esse rio é meu,
Levando o braço
direito o mais hirto que podia apontava para o horizonte, onde o rio se perdia
no meio de nuvens e montanhas que prolongavam a vila, uma bola de fumo que subia com o ar, e com o restolhar da vila
o som dos arbustos, talvez seja um eco de mim.
Agora aqui sentado, no cume da
vila vejo o meu eu partir, sereno, talvez procure o silêncio que tanto anseia.
Um dia espero que ele volte. Por enquanto contento-me a ouvir o som dos arbustos
que se prolonga ao longo da vila, talvez seja um eco de mim parado no tempo.
João Soeiro
Sem comentários:
Enviar um comentário