terça-feira, 23 de outubro de 2012


Sonho com a descoberta. Partir para a vastidão, conhecer os solos e amá-los em silêncio, sonho. Sim, sonho como tantos outros. Sonho com os meus próprios campos de rosas, cravos, e bem-me-queres, campos imensos de palavras, palavras que crescem como as árvores, e atravessá-las como as gotas da chuva que alimentam a terra.

 Enfim, sou uma névoa de fumo que se vai dissolvendo sobre textos, sementes de vida que dão fruto ao espírito libertino que não se acanha, ou tento sê-lo. Sabe, como isto vai tão turvo nem eu sei bem como sou. Acendo um cigarro e a neblina engana-me a vista, percebe? Os erros! Sem dar por nada está preso numa teia de erros. Tantos erros. Erro sempre por princípios, pelo menos duas a três vezes por dia, faz-nos bem este exercício diário de errar. Tomo comigo uma ideia, acordar e pensar nos erros que queremos dar nesse dia, de seguida realizá-los e por fim, antes de deitar é claro, depois de escrever umas páginas no diário, refletir, sim, refletir acerca dos erros de hoje, confio que assim nos poderíamos superar, enfim lá estou eu a sonhar.

Sonho que um dia possam espelhar a minha névoa de fumo sobre todos os meus campos de rosas, cravos, e bem-me-queres e assim seguir rumo no rio que corre livre no tempo, no tempo dos Homens e Mulheres. No meu tão querido tempo. Corram todos que isto não dura para sempre, até os campos se dissolvem quando provam o sabor azedo da morte.

João Soeiro

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