Sonho com a descoberta. Partir para a vastidão, conhecer os
solos e amá-los em silêncio, sonho. Sim, sonho como tantos outros. Sonho com os
meus próprios campos de rosas, cravos, e bem-me-queres, campos imensos de
palavras, palavras que crescem como as árvores, e atravessá-las como as gotas
da chuva que alimentam a terra.
Enfim, sou uma névoa
de fumo que se vai dissolvendo sobre textos, sementes de vida que dão fruto ao
espírito libertino que não se acanha, ou tento sê-lo. Sabe, como isto vai tão
turvo nem eu sei bem como sou. Acendo um cigarro e a neblina engana-me a vista,
percebe? Os erros! Sem dar por nada está preso numa teia de erros. Tantos
erros. Erro sempre por princípios, pelo menos duas a três vezes por dia,
faz-nos bem este exercício diário de errar. Tomo comigo uma ideia, acordar e
pensar nos erros que queremos dar nesse dia, de seguida realizá-los e por fim,
antes de deitar é claro, depois de escrever umas páginas no diário, refletir,
sim, refletir acerca dos erros de hoje, confio que assim nos poderíamos superar,
enfim lá estou eu a sonhar.
Sonho que um dia possam espelhar a minha névoa de fumo sobre
todos os meus campos de rosas, cravos, e bem-me-queres e assim seguir rumo no
rio que corre livre no tempo, no tempo dos Homens e Mulheres. No meu tão
querido tempo. Corram todos que isto não dura para sempre, até os campos se
dissolvem quando provam o sabor azedo da morte.
João Soeiro
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